Vítor Reia-Baptista

Vítor Reia foi o mentor do curso de Ciências da Comunicação na Universidade do Algarve e um dos investigadores responsáveis pela criação do CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação, onde coordenou o grupo de investigação de literacias e comunicação. Doutorado pela Universidade do Algarve em Comunicação em Educação, com especialidade em Pedagogia dos Media e Linguagens Fílmicas, mestre em Comunicação Cultural e licenciado em Literatura Comparada,
Drama-Teatro-Cinema, pela Universidade de Lund, na Suécia, é um nome incontornável na área da educação pelos media e da literacia.

Dedicou a sua investigação científica à Literacia Fílmica, à Literacia dos Media e em Contextualizações Culturais do Cinema. Além disso, foi membro do Grupo de Peritos da Comissão Europeia em Literacia dos Media, consultor do British Film Institute para o projeto European Film Literacy, e coordenador do Laboratório de Estudos Fílmicos do CIAC, tendo participado nos Projetos da Comissão Europeia: EUROMEDUC, MEDIAPPRO e EDUCAUNET.

Pode dizer-se que a sua vida académica foi primordialmente dedicada ao cinema e à literacia – como pedagogo, sabia que, sem as ferramentas adequadas, as novas gerações não conseguiriam desfrutar do universo que os media proporcionam. Ler imagens é muito mais do que ver – é penetrar de forma mais profunda no sentido dos textos, descodificá-los, deslocando assim o poder das mãos dos criadores de conteúdos e promovendo a partilha do conhecimento, do saber e desse poder que se enraíza no ato de comunicar. Foi de partilha que se tratou toda a trajetória de Vítor Reia: um caminho percorrido com amigos e companheiros de luta, com quem ele generosamente partilhou o seu grande conhecimento, a experiência do mundo, e de quem recebeu de braços abertos tudo o que tinham para lhe oferecer. Não por acaso, a sua última publicação, antes da morte que precocemente o levou em 2018, foi o verbete sobre “Acesso”, numa enciclopédia dedicada à Literacia dos Media. Porque é preciso desmitificar a ideia de que o acesso é igual para todos, e é necessário continuar a trabalhar para que passe a sê-lo. Este é o legado do mestre Vítor Reia-Baptista.

Mirian Tavares